RESPEITO – PRIMEIRA ATITUDE NO CUIDADO
DAS DIFICULDADES SEXUAIS


Todo ser humano tem problemas emocionais, sejam eles de ordem familiar, profissional, conjugal, física, etc. Quando sentimos dificuldade para achar soluções ou respostas sozinhos, naturalmente recorremos a um amigo ou pessoa conhecida que acreditamos ser mais habilidosa para escutar e dar uma opinião sobre o assunto. Mas... e quando o assunto é sexualidade? Aí fica muito mais difícil de se abrir, contar o que está acontecendo, e também se preparar para ouvir o outro, pois o risco de ouvir críticas preconceituosas e culposas é grande. E se, por exemplo, a relação sexual no namoro ou casamento, por qualquer motivo, não vai bem? É a hora de contar o que está sentindo e se preparar para também ouvir o outro e juntos buscar uma solução satisfatória. Pois é... falar é simples, o difícil é fazer.
O diálogo seja com o amigo, com o parceiro conjugal ou mesmo com o psicólogo, precisa de confiança mútua. A confiança se constrói a partir de um vínculo, de uma ligação afetiva onde eu sinto que eu sou cheio de defeitos e qualidades, mas o outro aceita e compreende estas características sem o risco de me abandonar. Ao contrário, o amigo em que se confia dá apoio para que você lide de uma forma diferente com suas dificuldades, além de suportar e respeitar a sua dificuldade emocional.
Assim, dá para concluir que dialogar não é fácil, pois uma relação de confiança não se constrói sem respeito mútuo. E nem mesmo todas as relações conjugais, familiares ou profissionais que mantemos são baseadas em confiança. O que torna difícil falar sobre si mesmo e suas dificuldades relacionadas à sexualidade com amigos ou o parceiro sexual. Muitas vezes não há espaço na relação para ouvir e ser ouvido com respeito. Aí nós mesmos também não respeitamos o nosso sofrimento e tentamos nos proteger não falando de nossas dificuldades afetiva-sexuais. Por um tempo, essa estratégia funciona, mas chega uma hora em que os sintomas não deixam mais a gente se enganar.
Os sintomas mais comuns e populares aparecem como: falta de desejo sexual, ejaculação prematura, dificuldades de ter uma ereção e dificuldade para ter um orgasmo.
E existem também algumas dificuldades sexuais menos populares, porém tão importantes e dignas de respeito e cuidado como quaisquer outras: transexualidade, transvestismo e fetiches. Lembrando bem que são consideradas dificuldades sexuais somente quando a relação sexual, fantasias, identidade sexual e orientação sexual geram sofrimento ao sujeito, seja porque não há prazer ou porque gera culpa, porque ocorre sem o consentimento de uma das partes ou porque é proibido pela legislação vigente.
O psicólogo é o profissional mais indicado para ouvir e auxiliar quem sofre e passa por dificuldades emocionais de toda ordem, inclusive as ligadas à sexualidade. Com ele é possível criar um vínculo baseado em respeito a quem você é, sempre focado não em mudar uma pessoa para que ela seja socialmente aceita, mas sim para que ela seja emocionalmente realizada.

Maristela dos Reis Souza
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