A origem do Tarô não é clara até os dias de hoje. Alguns ocultistas, como Eliphas Lévi, autor da importante obra: "Dogma e Ritual da Alta Magia" (1856)*, consideram que as cartas do Tarô advêm de um conhecimento bastante antigo, anterior à era cristã, o qual era organizado em um livro, que depois se desmembrou em cartas. Esta hipótese é reforçada pelas correspondências entre os 22 Arcanos Maiores do tarô (cartas que carregam simbologia mais importante) e o significado cabalístico das 22 letras do alfabeto hebraico. Segundo esta visão, o conhecimento do "livro" do Tarô é atribuído aos hebreus e egípcios. Contudo, há também indícios de que os povos hindus tenham participado da origem do Tarô, uma vez que este contém símbolos das divindades do hinduísmo.

Apesar destas evidências, este conhecimento foi perdido e resgatado na Idade Média, não se sabe exatamente de que forma. Os resquícios do Tarô ressurgem na liberação do jogo de cartas (proibido no século XIV); já naquele momento com uma configuração de 56 lâminas, divididas em quatro naipes. Entretanto, os 22 Arcanos Maiores haviam desaparecido.

O Tarô é, portanto, antepassado das cartas de baralho comum, que circulam nas casas de jogos e cujo acesso é livre e fácil. Assim como as cartas comuns, o Tarô dispõe de duas grandes estruturas. As 78 cartas são divididas em 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Estes últimos são ainda subdivididos em quatro naipes. Os Arcanos Maiores referem-se a formas arquetípicas humanas e a símbolos presentes nas etapas da história da humanidade e, conseqüentemente, nas etapas da história pessoal de cada um de nós. São símbolos das transformações que vivenciamos ao longo da vida, acumuladas em experiências para toda a humanidade. Já os Arcanos Menores referem-se a experiências mais cotidianas e diretas, a fatos menos ritualísticos. Cada naipe ou elemento corresponde a uma área de experiência humana, que podem ser grosseiramente resumidas em: Fogo ou Paus (realidade energética: atividade, brigas, criatividade, expansão, luta), Terra ou Ouros (realidade material: corpo, alimentação, trabalho, dinheiro), Ar ou Espadas (realidade mental: idéias, projetos, elaborações, preocupações) e Água ou Copas (realidade sentimental: relacionamentos, família, afetividade, fantasias, medos).

* LÉVI, Eliphas - Dogma e Ritual de Alta Magia - São Paulo: Pensamento, 2003. (A primeira edição foi em 1856).

Imagens : Cartas de jogar egípcias primitivas: o dois e o ás de copas.