Regulamentação da profissão de astrólogo
Em 2002 tramitou na Câmara
dos Deputados a proposta de regulamentação da profissão
de astrólogo. Obviamente, as reações, de todas as partes,
vieram veementes, a fim de defender ou atacar tal projeto. Em primeiro lugar,
cabe pensar nas motivações que levam qualquer pessoa a estruturar
um projeto desta natureza. O embate entre "crer ou não crer"
na Astrologia é bastante antigo e suscita tamanha polêmica, que
muitas vezes o astrólogo profissional, para se defender e procurar tornar
sua profissão mais "séria" e reconhecida, apela a este
tipo de instância, que talvez possa conferir um status mais respeitável
à nossa profissão.
"Crer ou não crer" carrega em si uma questão maior,
sendo apenas a ponta de uma grande discussão: se a Astrologia é
ciência ou não, ou, como preferem os novos termos, uma pseudociência.
A esta pergunta não cabem ainda respostas claras simplesmente pelo fato
de não haver espaço para se pesquisar a Astrologia com metodologias
específicas, no Brasil, embora já haja em alguns países,
como, principalmente os Estados Unidos (http://www.kepler.edu/ba/index.html).
O que nós, astrólogos, devemos defender é antes de tudo
a possibilidade de se fazer pesquisas na nossa área, que possibilitem
desmistificar algumas hipóteses astrológicas, ou ainda refutar
outras. É preciso saber na prática o que de fato tem resultado
na Astrologia e isso só é possível através de pesquisas.
A Universidade de Brasília - UNB - está iniciando pesquisas na
área astrológica, através do Campo de Estudos Avançados
Multidisciplinares, no Núcleo de Estudos dos Fenômenos Paranormais
- NEFP. A possibilidade de se estudar Astrologia em uma comunidade acadêmica
é bastante interessante, mas tem sofrido muitas críticas. Sabe-se
que é preciso que se estabeleçam padrões de pesquisa, para
que posteriores pesquisadores, seja para confirmar ou observar erros e ineficácia
da ferramenta, possam refazer os mesmos passos do pesquisador incial.
Para citar exemplos, a Psicologia, ciência recente, começou a ter
um status parecido com ciência, com as observações de Wilhelm
Wundt, cujo objeto era a consciência da mente, observada através
das sensações humanas descritas. Posteriormente, o Behaviorismo
traz à tona um objeto de estudo mais específico: os comportamentos
humanos. Com Freud, o foco passa a ser o inconsciente. Na Sociologia, os fatos
sociais foram definidos por Durheim como o objeto desta ciência que ali
surgia. Na Astrologia não pode ser diferente. É preciso haver
padronizações, definição clara de objeto de estudo,
de problematizações de pesquisa, de hipóteses a serem verificadas.
Portanto, cabe a nós, astrólogos, procurar produzir uma metodologia
verificável de pesquisa, para depois buscarmos a regulamentação
de nossa profissão.
Aos que consideram a Astrologia como um charlatanismo irracional, ficam as minhas
perguntas: para acabar de vez com a polêmica "crer ou não
crer?"/ "ciência ou pseudociência?" não seria
interessante verificar se de fato a Astrologia tem fundamentos? Se, da parte
de algumas pessoas há tanta certeza de que a Astrologia não funciona,
qual seria o problema em se pesquisar, já que, por esta lógica,
o resultado seria eliminar de vez esta área do conhecimento? Portanto,
tanto para confirmar as hipóteses astrológicas quanto para dar
crédito aos que a condenam enfaticamente, as pesquisas em órgãos
competentes são interessantes.
Caímos, agora, em um outro problema: o custo envolvido nestas pesquisas.
Para alguns, usar dinheiro para pesquisar a eficácia da Astrologia é
definitivamente jogar dinheiro fora. Entretanto, se nós nunca possibilitarmos
uma real verificação das hipóteses, ficaremos eternamente
brincando de quem manda mais: os "céticos cientistas" ou os
"patéticos astrólogos". Ora, acredito que a população
que usa em demasia os serviços astrológicos (horóscopos
de jornais, previsão, cálculo de datas melhores para acontecimentos,
mapa astral, orientação vocacional) merece que nós ofereçamos
a ela mais que embates ideológicos, por isso, o dinheiro gasto com pesquisas
seria bem empregado, na medida em que forneceria resultados claros a uma parcela
da população que usa estes serviços. E não é
uma parcela pequena, tendo-se em vista que todo grande jornal ainda reserva
uma parte à Astrologia, utilizando um serviço que, certamente,
não é o melhor que a nossa área pode oferecer (horóscopo).
Este é apenas um exemplo, de muitos outros serviços largamente
utilizados.
Por tudo isso, chamo a atenção para a premente necessidade de
se abrir um campo para se pesquisar Astrologia com metodologias sérias,
e não simplesmente rechaçando-a como um grande mal, ou abraçando-a
como a explicação de tudo. É preciso superar o "creio
ou não creio em Astrologia" e partir para uma discussão mais
concreta, mais próxima de fatos e observações.
Clarissa De Franco