|
Tamanho do pênis, Patriarcado e
Sexualidade
Imagine-se na seguinte situação. Num grupo de amigos alguém
pergunta: Para você, tamanho é documento? Se disser não, corre o
risco de passar a ser visto como “o caro do pinto pequeno”.
(somente quem tem pequeno pensa assim).
Dentro do imaginário social-sexual tamanho é documento sim, e de
preferência grande e grosso, para que não paire nenhuma dúvida
sobre a masculinidade.
Nossa primeira referencia biológica vinculada ao sexo que
pertencemos vem do ter ou não ter pênis, daí talvez venha o medo
de se vincular o pênis pequeno ao feminino, ao clitóris, à
vagina.
Já na adolescência o tamanho do pênis surgir como referencial
para afirmação de identidade, junto à quantidade de relações
sexuais podem servir de mecanismo de defesa contra o medo de ser
homossexual. As preocupações dos adolescentes são reflexos dos
estereótipos machistas e repressivos ainda presentes em nossa
sociedade patriarcal, e a equação é simples: pênis grande/
auto-estima alta, pênis pequeno/ auto-estima baixa.
Mas adolescentes não são os únicos a se preocuparem com o tema.
Basta visitar os chats de sexo na internet, (salas de
bate-papo), a grande maioria se apresenta como “bem dotado”,
algo absolutamente dispensável, já que o sexo é virtual. De novo
voltamos ao imaginário social-sexual.
Vivemos numa cultura “falocêntrica”, o Viagra é um bom exemplo
disto, o sexo penetrativo. Em fim, voltemos a pergunta. Tamanho
é documento? A resposta é: absolutamente não, não é documento. O
tamanho do pênis não guarda relação com a capacidade de dar e
receber prazer. Além disto, a experiência sexual com um outro
deve involucrar todo o corpo, todos os sentidos. O maior órgão
do corpo humano, a pele, responde eróticamente aos estímulos.
Portanto, centrar-se no tamanho do pênis é desperdiçar a
oportunidade de estar com um outro por inteiro.
Paulo Bonança, Psicólogo C.R.P 05- 30190.
|