Desentendimentos
Por: Carmen N
Kuroviski
O mundo está formado de grupos que se olham com
desconfiança crescente. O egoísmo, medo, orgulho não estão
espalhados no ar, estão dentro das pessoas que não tem
coragem de remover as barreiras que os separam.
Nos relacionamentos é freqüente vermos separações por mal
entendidos, as pessoas afastam-se magoadas pela falta de
compreensão, enfrentando a irritação do parceiro que julga a
sua atitude como obstinação e leviandade. Tímidos um perante
o outro, começam a seguir caminhos diferentes.
É o medo que leva a esse caminho, esconde os enganos e os
fracassos, o indivíduo toma ares despreocupados quando
absolutamente não está tranqüilo. Tem medo de ser enganado
em seus negócios, em suas aspirações, teme abandonar algum
hábito ou mesmo seu comodismo, não quer dar oportunidade ao
outro e então disfarça suas intenções. E assim vai
contribuindo para a criação desta atmosfera de suspeitas e
desconfianças.
Franqueza, confiança, compreensão, amor, carinho, aconchego,
nada disto pode existir entre pessoas que se escondem umas
das outras. Só pode haver tais emoções se despir à máscara e
abandonar o fingimento, deixar que o outro o conheça como é
realmente. E isso exige coragem.
Viver dissimulando levanta barreiras, enclausura, cria o
afastamento o isolamento e pensamentos mórbidos, que causam
doenças.
Quando o indivíduo resolve viver às claras consigo mesmo e
com outros, provoca uma verdadeira revolução. Um político
que pede desculpas pela violência de um discurso, provoca o
entendimento imediato entre partidos. O presidente de uma
empresa, reconhece o lucro excessivo, propõe aos
concorrentes uma baixa de preços. Um pai que conta a um
filho suas próprias dificuldades. Um casal, há muito
separado, resolve falar com franqueza, abrir o coração.
Então tudo volta ao normal.
Duas pessoas não podem conviver, a menos que haja, entre
eles, confiança recíproca. É este apego aos próprios fins,
aos próprios interesses, que afasta e divide as pessoas em
facções antagônicas por que só permanecem unidas enquanto os
seus interesses não entram em conflito.
O indivíduo que tenta se vingar de uma pseudo-agressão que
jamais existiu, através do comportamento, da raiva, das
atitudes inconseqüentes, das mentiras, dos gestos
antipáticos, das provocações, do orgulho, o que consegue é
matar na outra o respeito por si mesmo gerando o afastamento
em um círculo vicioso de magoa e ressentimentos.
O homem só vence estas dificuldades quando das profundezas
de seu eu, sobe a tona sua força interior para libertá-lo.
Sabemos que não possuímos bastante energia para quebrar de
uma vez os moldes no qual nos enquadramos. Mas, pelo menos
podemos reconhecer que somos senhores de algumas de nossas
ações