O ato de brincar para uma criança seria como o trabalho, o
aprendizado (escola, faculdade, etc.) para nós adultos, pois
é através destas atividades, ou melhor, destas brincadeiras
que a criança vai se constituindo como um todo. Ela se torna
criativa, tem a oportunidade de relacionar com seus
semelhantes e, o mais importante, ela se sente feliz,
conseqüentemente aumenta a probabilidade de ser mais
bondosa, amorosa e solidária.
A criança precisa
naturalmente passar por etapas de seu desenvolvimento
físico, cognitivo, social e emocional, onde o principal
apoio é a família. Futuramente esse apoio crescerá com os
coleguinhas de brincadeiras e os da escola. E é através
deste contato que ele desenvolverá suas potencialidades,
porque, ao contrário do que imaginamos, a criança ao brincar
compara, nomeia, mede, calcula, cria, deduz, classifica,
etc.
E assim ela se desenvolve, compartilha, respeita, faz
amigos, aprende limites e busca um sentido para sua vida, e
atualmente sabemos que pela grande correria do dia a dia
diversos pais não dão a atenção necessária para os filhos, e
lembramos que boa parte da saúde física, emocional e
intelectual da criança depende em boa parte do “brincar” e
do relacionamento familiar.
Até mesmo o brincar tem suas etapas de desenvolvimento,
começa-se brincando sozinho, conhecendo e manipulando
objetos. Posteriormente buscará outras crianças para
brincar, mas cada uma com seu brinquedo, e assim ela
desenvolve e descobre os prazeres e as frustrações de
brincar com os outros (grupo), crescendo emocionalmente.
Dessa maneira ela aprende a esperar sua vez, ser e interagir
de forma organizada, respeitar regras e restrições que
muitas das vezes são em grupo quando extrapolam em algum
brincar, aprendendo então a ganhar e perder.
Quanto à brincadeira
• Dê tempo para que ela possa explorar o material, deixando
que ela tente sozinha, mas estando disponível se precisar de
ajuda.
• Estimule sua auto-estima; faça com que ela se sinta capaz
de aprender, dando-lhe o tempo que precisar.
• Encoraje suas manifestações espontâneas; permita que ela
tome a iniciativa.
• Introduza propostas novas, estimulando a resolução de
problemas.
• Escolha brinquedos adequados ao nível de desenvolvimento e
interesse da criança.
• Aumente a dificuldade se notar que o jogo está fácil
demais e reduza-a se estiver além de seu entendimento.
E toda vez que apresentar um brinquedo a seu filho,
demonstre interesse. Pois uma caixa vazia, dependendo de
como lhe for apresentada, poderá virar uma casa, um barco,
um carro, uma torre, uma cama de bonecas, um fogão... ou,
simplesmente, uma caixa vazia. Estimule seu filho, deixe a
imaginação dele voar...
Bruno Augusto das Chagas - Psicanalista
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