Da Mentira Saudavel À
Destruição..Atualmente mentir faz parte de nosso
viver, e pode parecer provocação, mas, somos muito bons
nisso. Convivemos com ela a todo o momento, e a vida vai
caminhando, os problemas vão aparecendo e aumentando, as
fugas enganosas vão se tornando mais freqüentes e até mesmo,
“inevitáveis” para aqueles que passaram toda sua vida assim,
mentindo e se negando. Ela é aprendida na infância e faz
parte do processo de crescimento, servindo como forma de
fazer com que os outros acreditem em algo que é falso, ou
que acreditem ou duvidem de uma coisa que é verdade; o
objetivo da mentira é inconscientemente produzir o mesmo
efeito no mentiroso, a Negação.
Segundo Jaime Milheiro “quem fala a verdade, nada consegue”,
e assim o engano e a mentira funcionam em todos os lugares,
e a todos os momentos. Isto acontece devido a um Eu
fragilizado, ferido por ameaças que estão afetando suas
qualidades e criações. Então negar a existência de algo é
uma tentativa de não aceitar na consciência algum fato que
perturba o EU, “Nego (minto – faço de conta) para que todos
acreditem e sirvam-me de testemunhas em minha disputa
interna, entre minha própria memória (consciente) e minha
tendência a negar – minhas próprias angústias
(inconsciente)”.
Por se tratar de um mecanismo de defesa inconsciente, as
pessoas utilizam deste mecanismo esporadicamente e
equilibradamente. Às vezes, “uma mentira” pode ser uma “doce
mentira”, ocultando fatos traumáticos com a finalidade de
desejar o bem ao seu semelhante ou a si mesmo, servindo como
um falso apoio para a auto-estima. Muitas vezes pode ser
utilizado como defesa de ataques hostis, pois a mentira é
por si só, uma forma de defesa, atentando para o fato de que
a mentira não é só e simplesmente uma mentira, ela sempre
traz consigo os traços arcaicos inconscientes. Será que
sendo sempre transparente, não seríamos muitas vezes,
incompreendidos, ou magoaríamos muitas pessoas que amamos?
Entretanto, se a mentira for exacerbada, carregada de
perversidade e hostilidade, como forma de destruir e/ou
ferir, e se utilizada de maneira cotidiana, como forma de
defender-se antes de suas próprias angústias ou/e se iludir
um déficit de narcisismo. Então necessário se faz buscar
suas causas em tratamento psicanalítico ou se for o caso,
até mesmo psiquiátrico.
Afinal viver frequentemente num mundo de fantasia,
prejudicando a própria saúde mental, utilizando-se de
perversidade, significa portar alguma forma de desequilíbrio
para enfrentar a realidade, e, neste caso, precisa-se de
ajuda para compreender, reconhecer e/ou aceitar aquilo (no
inconsciente) do que se defende, do que se foge, do que lhe
causa desprazer.
Por Bruno Augusto das Chagas