Atualmente vivemos em tempos de verdadeiros bombardeios de
publicidades e propagandas que acabam por nos levar a um
determinado fetichismo sobre mercadorias. A palavra fetiche
vem de “feitiço”, algo que exerce um poder “sobrenatural”
sobre alguém. Na Psicanálise freudiana, fetiche pode ser
entendido como o substituto de um objeto do
desejo,observamos o fato de um produto (objeto) exercer um
controle sobre o comprador, muito além do valor de uso, ou
seja, a finalidade a que se destina o produto. O sujeito
pode comprar uma calça jeans X não pela simples necessidade
de vestir o corpo, mas muito mais, enquanto uma
possibilidade de satisfazer seus desejos refletidos através
do significado (representação pessoal) da calça X.
Muito
mais que a necessidade de se vestir, o comprador vê a calça
enquanto um meio para satisfação dos seus desejos de
atração, de identidade, de sensualidade, de ascensão social,
etc. Através da própria publicidade do produto, podemos nos
atentar e observar as propagandas e os diversos outdoors que
nos cercam, eles claramente exibem imagens altamente
atrativas envolvendo sempre a sensualidade e beleza, e
muitas das vezes faz com que inconscientemente o sujeito
tenha uma acesso direto aos seus instintos básicos,
ressaltando aqui a sexualidade. E lembramos que estamos em
um momento onde o padrão de beleza e sensualidade estão em
alta e são priorizados com um componente das relações
sociais. Mas a calça jeans X de nada significa para o
sujeito se não houvesse por trás, toda propaganda que
transmite seus horizontes aos destinatários. Tais horizontes
transmitem de um lado, os sucessos na carreira profissional
no mercado de trabalho, de outro, a reputação geral,
sobretudo do sucesso amoroso.
Psicanaliticamente falando, vemos que existe uma
determinada força nas publicidades e nas mercadorias que
refletem as fantasias e desejos do sujeito. Desta forma são
refletidas as possibilidades de satisfação através da
mercadoria, notamos também uma subversão de valores, onde o
produto se torna em si, um substituto do objeto de desejo
(fetiche), e este produto não substitui apenas um só desejo,
mas a possibilidade de suprir vários desejos, apelando aos
instintos mais vitais (sexualidade).
Para concluir citarei Erich Fromm que diz que a ideologia
social vai se tornando cristalizada e naturalizada, se
tornando uma espécie de sistema de gratificações, onde os
membros não se dispõem a questionar os comportamentos
impostos, pois supõem que estão seguindo seus próprios
prazeres, em última estância, agindo livremente. Em suma, os
membros são levados a desejar agir como têm de fazê-lo.
Finalizando FROMM diz que a personalidade não seria
conseqüência apenas da história individual, mas também do
contexto social.
Bruno Augusto das Chagas - Psicanalista