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Necessidade Profissional
Freud disse o seguinte: “ O que exijo é que não possa exercer
a psicanálise alguém que não tenha conquistado por meio de uma
determinada preparação, o direito a uma tal atividade”(p.2943).
O exercício da psicanálise é um direito que se conquista, e esta
conquista acontece por meio do conhecimento deste tão fascinante
e assustador território que é o inconsciente. A grande conquista
da autonomia profissional se consegue através da análise
didática ou pela análise pessoal, onde percebemos que quando se
chega a análise por escolha pessoal, não por, indicação ou
obrigatoriedade, a chance do processo analítico levar ao
desenvolvimento da autonomia é muito grande, sendo que as
análises de caráter mais burocrático, principalmente as que
exigem a obrigatoriedade das mesmas , estão mais fadadas ao
fracasso.
Ainda em relação à análise, ela funciona melhor quando a procura
da análise é devida ao sofrimento pessoal, pois assim o futuro
canditado a ser analista possa explorar com mais afinco o seu
analisando, tendo melhor autonomia e capacidade para lhe dar com
as transferências. No quanto à transferência interfere no
processo analítico? O conceito de transferência tem uma
importância central? A transferência passa a ocupar o primeiro
plano do método psicanalítico, a transferência é um paradoxo, já
que é o motor e ao mesmo tempo o fator que emperra e cura, além
de operar enquanto resistência ou até mesmo como
contra-resistência.
E através do jogo da transferência, que vemos o processo
primário em sua forma ativa, caracterizado por demandas
infantis, e é desta forma que a transferência transforma a
relação com o analista em uma relação primária e vivida como
atual. A análise não visa tornar ninguém analista, mas permitir
que ao longo do processo analítico, esta demanda não permaneça
intocável devido as transferências e resistências que podem
afetar o próprio analista, que se não tiver tido uma boa
resolução de seus conflitos psíquicos poderá não alcançar o
devido sucesso enquanto profissional. Mas somente análise não é
o suficiente para se tornar analista, é preciso analisar e
experimentar as vicissitudes de quem ocupa este lugar, é ao
analisar que a singularidade do analista emerge.
Foi Ferenczi, da 1º geração de analistas que enfatizou que: a
análise daquele que desejasse se tornar analista, seria uma
condição necessária para a formação do mesmo, mas não se trata
de uma curta análise para se certificar da existência do
inconsciente, ou para aprender a arte da interpretação com outro
analista, trata-se de se tornar um profissional capacitado de
compreender seus própios conflitos e compreender o que se passa
com o outro sem se deixar ser levado pelo que for evocado
durante uma análise, tomando assim a posição de ser continente.
É através das resoluções pessoais, que se cria a determinação
necessária para um futuro profissional promissor, pois temos uma
complexidade, que é a demanda múltipla do sujeito que procura a
formação analítica: cura e formação, mas estes desejos conversam
e se atualizam durante o desenrolar da análise.
A análise, a supervisão e a própia teoria psicanalítica
funcionam como suporte deste desejo de conhecer e se conhecer,
há também o desejo de reconhecimento, este paralelo com a
questão da autorização adquire uma importância fundamental para
o exercício da psicanálise, pois não existe a condição de
analista, sem se por em prática a própia psicanálise.
Vemos que o processo pelo qual alguém se autoriza ao exercício
da psicanálise surge e se liga ao próprio percurso de formação
no qual a análise didática desempenha um papel fundamental.
Por Bruno Augusto das Chagas
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