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A Homossexualidade Como Uma
Construção Da Modernidade
O caráter histórico das práticas sexuais, sua dimensão
simbólica e seu caráter dialético, configuram elementos que nos
permitem compreender a relação indivíduo/sociedade/sexualidade.
Até o final do século XVIII, o direito canônico, a lei civil e a
pastoral cristã estabeleceram o lícito e o ilícito dos atos
sexuais, colocando no núcleo do seu discurso a família e seu
papel reprodutivo, objetivando deste modo a ordem e o controle
social através da regulamentação das práticas sexuais.
Com o inicio da modernidade e o avanço das ciências, o foco de
atenção sexual deixou de ser o matrimonio e se concentrou nas
sexualidades periféricas, ou seja: a sexualidade dos loucos, das
crianças, dos criminosos e no prazer homoerótico. As
sexualidades ditas periféricas não surgiram na modernidade:
sempre estiveram presentes durante épocas anteriores, porém a
diferença é que agora elas passam a ter uma visibilidade e são
apresentadas como entidades específicas que devem ser estudadas,
avaliadas e controladas.
Através deste processo ocorreu a implementação das perversões
pela ciência, que se encarrega de controlar, classificar e
inseri-la dentro de uma realidade permanente e analítica. Estas
novas classificações e especificações criaram uma nova
identidade, um novo tipo de indivíduo: o "sujeito homossexual",
diferente dos outros sujeitos da sociedade por estar fora da
norma dominante.
Esta construção moderna da homossexualidade como uma identidade,
impossibilitou uma visão total do indivíduo, que passou a ser
fragmentado com sua sexualidade predominando seus atos. O
sodomita de épocas anteriores era um relapso, o homossexual do
início da modernidade é uma espécie.
Autor: Paulo Bonanca
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